| ATV55, Prova BTT Torres Vedras |
Desta feita, o dever de relato foi-me atribuído quase ‘’coercivamente’’, irão perceber porquê. E foi assim...
Levantar às 06H30 - primeiro passo herculano para a minha atleta. Relembrei que a ‘’alta competição’’ começa cedo, muito cedo. Chegados ao destino, Torres Vedras, o protocolo habitual (e por esta ordem): localização dos wc’s, levantamento de dorsais, zona de partida, conversa com a rapaziada da linha e, após o check-in, avançamos ao melhor estilo ‘’Ponte 25 de Abril’’.
Tivemos logo uma surpresa: um presente com quase 6 km de estrada. Afinal?!?! pensava que era BTT.
Assim que entramos em terrenos pedregosos (dignos desse nome), começam as dificuldades, não pela toponímia do terreno mas as físicas. Mas havia razão para isto: a minha atleta, além de rookie nestas andanças, fazia se transportar naquela máquina pela 1.ª vez. Até que o enquadramento era estimulante aos meus olhos, rolava bem e sem surpresas, trepava pelas subidas mais técnicas, a fazer inveja a muitos hominídeos (que as faziam a “penantes”).
Mas como tudo, o cansaço começou a envolver a esfera ‘’piloto/bicla’’ e pelos 17 km de prova, a minha atleta começa com as interacções com a natureza… E devo dizer que foram bastantes, uma coisa linda de se ver, até fiquei com ciúmes, tal o ‘’enrolanço’’ com o ambiente.
Não satisfeita com os encontros, e em jeito de vingança, sabendo da minha intimidade com aquela máquina, decide apertar com ela e a 8 km do final, um golpe fatal… fratura da corrente. Uma sensação de desespero correu-me pelo corpo inteiro. Compreendi e decidi o que tinha que ser feito: 6 km a correr com a bicla à mão e até que gostei, não fosse eu homem do trail.
A uns km da meta, cirurgia apressada e com a corrente no sitio, entreguei novamente a bicla à minha cara metade.
Chegamos à meta felizes, alma em alta mas a minha menina – Ana Pipio, com o corpo que mais parecia o mapa rodoviário das ‘’zonas perigosas das estradas nacionais’’…
Para que conste, a minha atleta e companheira Ana Pipio, tripulava uma Olympia E-type, equipada com amortecedor Fox Propedal, suspensão RochShox SID World Cup e rodas XT. E com esta máquina, contei 6 interações com o ambiente, mas apesar de tudo, esta SENHORA tem uma força e vitalidade contagiante e... nunca me ri tanto numa prova.
Não fomos os últimos mas quase. Também não importa, terminámos os dois.
Parabéns à organização.
-Jorge-