segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O NOSso São Valentim

Teoria do Nós

14 de Fevereiro - estabeleceu-se como o "Dia dos Namorados"!
E depois de 14?! O espirito da coisa desaparece até ao próximo ano?! Não me parece. É como o Natal, é sempre que NÓS quisermos!

E assim será.

A crónica vem desfasada no tempo, como já repararam, mas tem um propósito: já todos "postaram" sobre o tal Valentim, agora somos NÓS (da maneira que somos, não podia deixar de ser, não é?).


Muitas estórias correm sobre a origem deste dia ‘’especial’’, mas a versão da Idade Média que dizia que "(...) o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Por isso, os namorados usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta da amada’’, acolhe a minha aceitação.

É romântico como parece já não ser, hoje basta comprar algo para a nosso/a MQT e resolve-se a coisa. Naquele tempo, eram as prozas e os poemas que reinavam.

Para os "poetas das matemáticas" ;-), também se pode equacionar o amor entre dois humanos: 
 

1 + 1 = 1 


 TEORIA DO NÓS*


NÓS, não somos assim. NÓS pensamos, gostamos, respiramos juntos, a dois.

A MMQT encontrei-a caída nos escombros da vida e eu perdido no tempo. Junta-se a "fome com a vontade de comer", mais uns pozinhos aqui e ali,  e eis a fórmula mágica para um namoro intemporal.

Façam o impensável, inventem, conspirem, não se arrependam daquilo que fizeram.

É assim, simples como o vento, deixa-se fluir ao sabor do desejo, mas não se esqueçam, de pôr sal q.b. - ajuda e de que maneira!!

Por isso decidimos desrespeitar o "Dia de S. Valentim", vamos gozá-lo quando e onde queremos. Sim! porque já temos todos os ingredientes. É a revolução dos cravos, ou melhor, "Revolução das Rosas".

Saberão a seu devido tempo! (suspense)
-Jorge-


* Quando dois estranhos se encontram para falar de trail, o que se pode esperar?!?! Tudo!! Foi assim que juntámos as ''sapatilhas'' e seguimos por montes e vales. Aqui contamos ao mundo algumas das coisas boas de correr, fazer, chorar e rir a dois.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A DOIS NÃO HÁ IMPOSSÍVEIS! by Jorge



A descrição que segue, é susceptível de ferir a espécie ‘’hominidae – sofae’’ mais sensíveis ao contacto com natureza e à sua dureza, por isso não tentem fazer isto lá em casa… saiam à rua!

O objetivo principal da minha 4.ª participação na prova épica Trilhos do Abutres 2016, foi demonstrar à minha mais que tudo, doravante MMQT, que não há limites para a nossa capacidade e determinação!





Vou utilizar o gráfico da altimetria para a dissertação que se segue:
  • Partida: levantar e alimentar a MMQT, foi tarefa herculana. Foi preciso recorrer à Carta de Boas Práticas para interiorizar o espirito ultratrailista na cachopa. Mas a tarefa foi conseguida. Vestida e alimentada, lá foi ‘’fermosa e não segura…’’ para a manga da partida. Se o nervoso miudinho desse flores, a MMQT era um jardim!
  • O síndroma do Km 29 manifestou-se depois de 15 km, foi preciso apertar com a MMQT  estava a começar a fraquejar. Nada que não estivesse programado (fruto de treinos e supervisão do je). Entra em cena aquilo que muitos ignoram: psicologia e nutrição. O sucesso do binómio confirmou-se na passagem do cut-off, com uma margem de 30’. O objetivo de terminar os épicos abutres estava a 20 km.
  • A mítica distância dos 42 km estava a assombrar a MMQT. Ainda assim, com determinação e uma margem de 4H30’ para ultrapassar a barreira, não afrouxamos o ritmo, facto este que nos levou a concluir este troço com uma margem de 1 hora conseguida com uma energia vinda não sei de onde. A luz começava a brilhar ao fundo do túnel, i.e., ao fundo de Miranda do Corvo.
  • Fez-se noite e num mar ‘’nunca antes navegado’’ (por NÓS) de lama, progredimos até ao alcatrão que nos levaria ao sucesso. O um ritmo adequado às circunstâncias e pernocas da MMQT (premissa descrita na Carta de Boas Práticas) fomos avançando e, depois de uma rápida troca de roupagem, munidos do equipamento TEORIADONOS, passámos e ultrapassámos aquela meta que vai marcar as nossas vidas por tempo indeterminado: os 52 km dos Trilhos do Abutres-objetivo conseguido!

Não chorei porque “macho que é macho não chora” mas fiquei muito orgulhoso da MMQT.  A Ana conseguiu aquilo que nunca pensaria conseguir, porque a dois não há impossíveis…!

-Jorge-

A DOIS NÃO HÁ IMPOSSÍVEIS! by Ana

Sou uma ultra-trailista!!! Com o batismo numa das provas mais bonitas, senão a mais bonita, em que participei. Foram 52 km, a dois, de paisagens e caminhos deslumbrantes. Se juntarmos a isso o desafio que cada km representava, conseguia escrever um conto só a tentar descrever-vos o que é fazer o Ultra-trail dos Abutres. Não vou escrever um conto (vou-vos poupar a isso ;-)), mas nas linhas que se seguem, que não são poucas, vou procurar “resumir” o que foi para mim esta aventura…

Este desafio foi-me lançado pelo o meu mais que tudo – o Jorge (como não podia deixar de ser!). Nunca me tinha imaginado a fazer um ultra-trail, até porque sei bem as “porradas” que levo nos “normais”, mini, “pequeninos” – nestes o equilíbrio entre a dificuldade e a superação é perfeito! Eu chamava de loucos aqueles se metiam nestas “grandes” andanças.  Mas “o peixe morre pela boca” e lá me deixei meter nos 50km... e em boa hora o fiz.

O Jorge começou a planear a prova com a devida antecedência, a pensar nos equipamentos, alimentação e treinos. Dois dias antes, o Jorge preparou a “Carta de Boas Práticas” que, para além de estar muito boa, veio mesmo a ser utilizada durante a prova (de génio!) – http://teoriadonos.blogspot.pt/2016/01/carta-de-boas-praticas-do-teoria-do-nos.html

Não pensei em não tentar fazer mas confesso que, com o aproximar do dia, um nervoso miudinho começou a apoderar-se de mim. Iria estar muito frio, muita chuva? seria capaz de estar tanto tempo em prova? seria capaz de superar os trilhos mais técnicos? Penso que já partilhei que adoro trilhos e já participei em muitos, mas continuo com um medo enorme (e falta de jeito) para as descidas... e quanto mais técnicas pior. Mas com dúvidas ou sem elas, se aceitei o desafio iria tentar supera-lo.

Dito e feito. Dormida em “solo duro”, acordar às 6:30 da manhã, tentar comer massa cozida de pequeno almoço (baahh!), vestir a “melhor” das nossas roupitas e os respectivos acessórios (tudo pensado e preparado de antemão... pelo Jorge, claro!).  Às 7:45 já estávamos prontos e na manga para partir. Um olá aqui, outro ali e... zás, partida. Não foi bem “zás”, foi mais: “vamos a isso que ainda faltam 52 km”. J

Assim que começou, um atleta cai mesmo à nossa frente (resultado das pressas de quem começa atrás mas quer ir à frente), um pouco mais à frente, outro “estacionado” pelo que parecia ter sido uma queda em cima do braço. Começo a pensar “Se é para cair (e eu caio muito)  que seja no início, quando ainda não dei o litro”... Pouco depois, pimba, Ana no chão! Derrapagem numa curva mais apertada. Nada de mais. Um pouco à frente, o joelho. Começo a sentir uma dor no joelho, a apanhar a canela... e ainda nem 10 km tínhamos. “Mas que vida a minha, mas isto vai ser assim até ao fim?!?!”.  Nesta fase, já as paisagem se começavam a mostrar - lindo, um privilégio poder correr com aquele cenário como companhia.

O Jorge a olhar para mim e a ver-me com cara de poucos amigos, imaginei logo o que devia lhe estar a passar pela cabeça: “Esta miúda vai ficar por aqui, pára-me no próximo abastecimento...” E não sei se não ficava. Mas ao tirar uma braçadeira que tinha no joelho a dor passou e o ânimo voltou. E pensei, 10km já estão, agora vou ter que acabar isto senão foi esforço para nada. Um começo atribulado (como são quase todos). Abastecimento dos 13km, próximo objectivo: chegar ao 29km.

Tinha estado a ver a um gráfico da dificuldade técnica ao longo da prova. Pelo que me lembrava, a prova ira se tornar mais difícil a partir desse ponto (mais coisa, menos coisa): subidas mais complicadas, descidas impossíveis. Começo a gerir a prova, entre o esforço que imaginava ser necessário (e apenas imaginava) e as “pernas” que tinha. Embora com indicação no dorsal que tinha um abastecimento aos 24km, eu estava concentradíssima nos 29km. “Tu consegues Ana! E depois com 29, são pouco mais de 20 para acabar... “ E foi assim que seguimos. Cada um com as suas pernas, mas sempre sob a orientação do “mestre ultra-trailista” e de acordo com a Carta de Boas Práticas. Primeiro uma grande subida e, depois dos 24, uma descida num trilho espetacular mas muito técnico. Nesta descida, às páginas tantas, escorreguei. Aqui foram as indicações do Jorge que me valeram: “agarra-te aos ramos”, o que fiz sempre que dava. Quando caí, fiquei pendurada nos galhos e enrolei-me toda nuns arbustos que ladeavam a arriba. Foi aparatoso, parecia uma cena tirada num filme do 007, mas não mais que isso, sem mazelas. A cerca de 3 km dos 29, tivemos que acelerar para garantir que passávamos antes das 6 horas limites. Passamos com 5h35m (sim, este tempo todo para fazer “só” 29km).

Teoria do Nós - Trilho dos Abutres 2016
Próximo objectivo: 42 km. Aqui pensei: “Se consigo fazer os 42km, faço isto! Ficam a faltar 10km, o que faço num dos meus treinos” Saímos do abastecimento e começamos logo com a subida da Srª Piedade de Tábuas. Simplesmente magnífico! Esta iria ser a parte mais difícil dos Abutres, tínhamos que subir, de novo, ao ponto mais alto da prova e em trilhos com uma dificuldade técnica muito elevada. E tínhamos 4h30m para 13 km. Isto dava para ir devagar a tirar selfies, pensam vocês! Dava, dava... mas não é bem assim. A primeira parte da subida, mais um trilho lindo, foi no meio da vegetação, com cursos de água e com, volta e meia, um “cheirinho “de escalada.

Nestas alturas, é tanta a atenção que damos ao terreno, tanto o esforço físico, temos os níveis de adrenalina tão altos e, ainda, procuramos contemplar os caminhos que estamos a percorrer, que nem damos conta do tempo passar. Quando o trilho se torna mais fácil, é nessa altura que olhamos para o relógio e procuramos “ganhar” tempo. Subimos a bom ritmo até aos 37km, onde encontramos um abastecimento com febras e minis (estavam taaaooo boas, fizeram-nos taaaooo bem!)... e muito frio Estávamos no topo! Tinha batido o meu record pessoal de distância, provavelmente de altimetria também, e só faltavam 15 km para o meu troféu finisher. Para o Jorge foi ali que a prova foi “conseguida” (desabafou no fim comigo), mas para mim ainda faltava a descida de 5km até aos 42km. Mesmo com tempo, eu queria aproveitar o mais que podia para fazer terreno e, enquanto pude, dei-lhe “gás”. Escusado será dizer que foi “sol de pouca dura”, passados 1.5km já estávamos de novo em trilhos muito técnicos a descer (o meu “calcanhar de Aquiles”). Os km que se seguiram foram percorridos a fazer contas tempo/distância: não tinha ido até ali para ser “barrada” nos 42km... é que nem pensar! Ainda voltamos a subir, uma parede curta em distância mas de respeito em altura (as coxas não me deixaram ficar mal... nem a mão do Jorge que aparecia ali sempre que precisava). Foi o Jorge que avistou primeiro o ponto de controlo e quando me disse que era ali, a uns 500m, invadiu-me uma alegria: “Ia conseguir fazer os Abutres!”

Estávamos com 9h de prova quando arrancamos para os últimos 10.000 metros. A partir daí andamos bem até porque o terreno permitia. “Bem” se tivermos em consideração que já estávamos com mais de 40 km nas pernas e com D+ de 2600. Ainda tivemos que descer a margem de um rio, bem menos complicado que os trilhos anteriores, que tentamos (e conseguimos) fazer antes do cair da noite. Chegamos ao último dos abastecimentos, aos 47km, pusemos os frontais e arrancamos para os últimos 5km já de noite. Ainda tivemos direito a uma surpresa: cerca de 2,5km em “rio de lama”. De noite, não havia muitas decisões a tomar na escolha do melhor lado para passar a lama, por isso foi avançar. Íamos derrapando aqui e ali, a cada passada os sapatos ficavam colados na lama e até deu direito a um “mergulho” em lama até à cintura (meu, claro!). 

Aos poucos, com a escolha de terreno a cargo do Jorge, lá conseguimos impor ritmo e sair dali, chegamos à estrada, com as luzes de Miranda do Corvo a gracejar-nos. Estava feito :-) Mais 2 km em estrada, a conversar e a rir... e a correr (sim, ainda conseguia). Uma paragem “artística” a 100m da meta para pôr à vista a t-shirt do Teoria do Nós, e a correr de mão dada, passamos a linha da meta! Com 11h02m de prova e muito mais de emoções e momentos sem igual.



Façam como NÓS: desafiem-se e superem-se... a dois!


-Ana- 

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