| Teoria do Nós - Trail AM, Barcelos |
Este foi um fim de semana dedicado ao Norte, à terra do Galo: Barcelos. É uma cidade pequena, típica e muito bonita. Conhecida pelo galo mas com outros encantos. A hospitalidade e simpatia foi, desde logo, nota marcante desta aventura.
Para poupar a cabeça, o corpo e a carteira, optamos por ir de camioneta, no dia anterior à prova. Esta prova permitia, pois tinha a partida/meta no centro da cidade. Foi uma boa escolha e que recomendamos. Assim que chegámos, foi-nos oferecida boleia para o hotel e indicações para um restaurante onde se “come bem e barato” (ainda existem!!): Churrasqueira a Furna. E que bem se comeu!
Mas isto foi só o início da aventura, a parte fácil, o pior ainda estava para vir. De referir que, depois de uma “quase paragem” de cerca de dois meses, Nós retomamos os treinos (moderadamente) na semana anterior. Vínhamos de 5 dias a recuperar de uma aula de BodyPump em que entramos como heróis e saímos como caracóis, de rastos. No domingo, com bastante frio, chuva e um andar ainda afectado dessas andanças, lá nos dirigimos para a partida. Parecíamos cebolas, tantas eram as camadas de camisolas. Esta prova era a mais longa que já alguma vez tinha feito, inicialmente anunciada como sendo de 35km, acabou por ser divulgada com um percurso de 31 km... pensávamos nós. (fiz uma outra, a estreia do Red Cross Trail, em 2011, de igual distância)
Na linha de partida falava-se muito em português mas não só, também lá estavam muitos atletas espanhóis e, mais tarde, também ouvimos francês: uma prova internacional. E arrancamos. Cerca de 2km em estrada até entrar na serra e mais uns tantos até começar a conseguir respirar bem. Em quase todas as provas preciso de alguns km para “regularizar” mas, desta vez, foi preciso percorrer o dobro da distância. Foi o meu companheiro e “gestor de prova” que me ajudou a entrar em ritmo “cruzeiro”. E nisto, logo a seguir ao primeiro abastecimento, vamos todos pelo caminho errado. Não nos perdemos, a fitagem estava mal feita, as fitas (etiquetas como eu as alcunhei) indicavam dois caminhos. Para quem anda nesta vida sabe como pode ser desmoralizante esta situação. Mais tarde ouvimos dizer que levou a um considerável número de desistências mas, para Nós, apenas serviu para acrescentar cerca de 2km à prova.
A prova teve duas subidas ditas técnicas com um grau de dificuldade elevado, uma descida mais complicada, com muito percurso a rolar. Muitos eucaliptos, duas passagens mais deslumbrantes, prova rápida... caso estivéssemos em forma. O Jorge, sempre “mais fresco” que eu (uma verdade científica, mais que provada :-)), lá ia puxando, literalmente, por mim e tentando equilibrar as perdas de energia com a ingestão de calorias. Não posso deixar de referir as bolas de berlim dos abastecimentos... que delícia. O Jorge vingou-se e comeu todas aquelas que evitou nas férias.
A cerca de 12 km da meta comecei a fingir que corria... estava de rastos e preparadíssima para a meta. O Jorge marca o passo, comigo atrás. Lá ia eu, perdida nas “aulas” de anatomia que as minhas pernas me iam dando, lembrando-me de todos os tendões e músculos que tenho nessa zona, quando sinto uma picada no pé, cada vez mais forte. Mais um tendão?! Tive que parar. Quando olho vejo umas “patinhas”... começo a gritar: “aranha”. O meu “forte e corajoso” companheiro, vem em meu socorro para lutar com a criatura que me ataca (:-D)... uma abelha. Maldita, não caí mas fui ferrada!
Daí para a frente foi um arrastar-me e contar os metros até à meta. Sentia-me mesmo cansada e sem força. Quem salvou a “honra do convento” foi Jorge que, com a “paciência de Jó”, veio sempre comigo a dizer que conseguíamos... e conseguimos. Passamos a meta juntos, de mãos dadas, como não podia deixar de ser.
Depois de cerca de 5 horas e 35km de prova, ouvimos um comunicado da organização a dizer que “devido ao elevado número de desistências, não iria haver classificação para os 35km”. Quê?!?! E quem acabou?!?! Não é uma decisão que se espere de uma organização destas (já enviamos um e-mail a expressar o nosso descontentamento).
“Corremos” para o banho (estava gelada) e seguimos para um merecido repasto (segunda volta) na Furna. Ainda vimos chegar os amigos que estiveram nos 65km (parabéns a todos!), compramos um recuerdo, como não podia deixar de ser, um galo, e regressamos, com calma e sem sobressaltos, de camioneta! Feitas as contas, valeu muito a pena, uma aventura a dois, diferente e gratificante como tentamos fazer de todas... e outras virão, mas não será para repetir esta prova.
-Ana-







