“Diz-me o que calças, dir-te-ei como corres” podia ser o mote para uma longa dissertação sobre as muitas opiniões sobre uma matéria que tem preenchido muitas conversas em treinos e corridas. No entanto, o que se pretende nesta crónica é, única e simplesmente, transmitir as minhas experiências com vários tipos de sapatilhas nos mais variados tipos de piso. A escolha, como é óbvio, será sempre pessoal…
Não represento nenhuma marca. Gosto sim de experimentar marcas desconhecidas do público atleta em geral, que se têm revelado bastante surpreendentes e até muito positivas... outras nem tanto. Não pretendo explorar as questões tecnológicas, antes sim falar daquilo que realmente nos interessa: preços, durabilidade, comodidade e outros aspectos mais “palpáveis”.
Apresento aqui algumas das ‘’alpargatas’’ utilizadas por mim até ao presente ano, umas de trail (como não podia deixar de ser, a grande maioria) mas também de estrada.
Estrada
SKETCHERS GO RUN 2, uma sapatilha minimalista ultra leve, no entanto não permite ‘’pesos’’ acima dos 75 kg. Construção forte, decoração atractiva. Tenho corrida bastantes quilómetros e não demonstram fragilidades, apenas o amortecimento que apesar de ser diminuto, começa a escassear. São rápidas e aderentes em pisos molhados. O preço é convidativo, encontram-se boas promoções. Uma opção válida a ter em conta.
Trail
SKETCHERS GOBIONIC TRAIL, esta opção, que em termos de construção é uma derivação da sapatilha apresentada antes, não passou nos meus testes. Após pouquíssimos quilómetros em terrenos softrail com água, depressa demonstraram as suas fragilidades, pouco aderentes. Após apanharem com ‘’água e lama’’, as colagens que ligam a parte superior e a sola, simplesmente desfizeram-se. Certamente não são boa opção para trail, facto é que parece não terem vingado no mercado. Risquei das minhas opções.
SALOMON XA PRO 3D 2, uma marca que, à partida, não deixa grandes dúvidas, amplamente utilizada por muitos atletas. No entanto, duma forma geral penso que os ‘’americanos’’ não tiveram em conta os pisos característicos aqui por este Portugal, em que qualquer buraco conta. O que posso dizer deste modelo?! Uma desilusão, pouco aderentes, amortecimento pouco ou nenhum. Fiz questão de ampliar a tipologia dos terrenos, poderia estar errado, mas não, são boas para ir para o local de trabalho e pouco mais. Um ponto ‘’muito’’ fraco, a soldadura entre a parte superior da “alpargata” e a sola depressa apresentou a sua fraqueza, descolavam mais depressa do que corriam… Os 80 € (e foi em promoção) que apostei foram com o vento, não duraram 8 meses e pouquíssimos quilómetros.
SALOMON S LAB 5, ora aqui está um problema que me saiu caro, bastante caro, foram os cerca de 150 € mais rápidos a desaparecerem… Sim, desaparecerem e já vão perceber porquê. Adquiridas no início do ano e após três provas, num total de 190 km, em variadíssimos tipos de trilho, as ‘’meninas’’ foram-se. A carcaça superior começou a apresentar rasgos (incompreensíveis) que alastraram-se a toda sapatilha. Contactado o fornecedor, a resposta de sempre: - ‘’Não é defeito, algum ramo ou pedra foi o responsável pelos estragos’’. Eu sei que gosto de ‘’furar’’ por silvas e pedregulhos, mas isto foi demais, ou melhor, de menos. Aderência em piso molhado: uma nulidade. Aconselho uma utilização em estradão, seco e sem muita pedra. A sola, com toda a tecnologia (que maior parte de nós mortais nem sabemos se existe quanto mais compreender), não suporta muita ‘’pedrada’’, desaparece num instante e, pelo preço, risco das minhas opções.
ASISCS FUJI TRAINER 2, a ASICS considero uma das marcas de eleição, preocupou-se com o atleta e entrou no mundo trail pela porta grande. Talvez a marca mais vendida aqui no nosso ‘’quintal’’. Iniciei-me oficialmente no trail com uma FUJI TRABUCO 2, umas das melhores opções (para mim) na altura. Diferentes em muito das FUJI TRAINER 2. Estas últimas têm uma construção duradoura (ainda as tenho), um bom grip - mesmo em situações mais complicadas, trepam muito bem. No entanto, com pouco amortecimento na secção posterior mas muito boas para rolar sem medos (apesar da protecção frontal não suportar grandes pancadas de raízes ou pedras). As evoluções destas “alpargatas” parecem seguir a mesma tendência, qualidade acima da média, a preços acessíveis e uma diversidade de cores apetecíveis aos olhos…
SALOMON XR MISSION, esta sapatilha é um sapato híbrido, o que significa que pode ser utilizado em estrada ou em softtrail. Não se entenda como um puro sapato de estrada antes pelo contrário, a minha utilização deste modelo hibrido tem sido numa perspectiva de um percurso inicial em estrada seguido de estradão ou trilhos sem grandes relevos e ‘’distrações” (pedras, raízes, etc…). Amortecimento q.b., boa estrutura em termos de construção superior, pouca protecção contra embates laterais ou frontais. Até ao momento e depois de 3 anos, apenas apresentam um pequeno rasgo na dobra do pé na parte superior da sapatilha, nada de mais. O preço, um pouco mais alto que aquilo que se pode encontrar na mesma gama.
KARRIMOR TEMPO, a minha experiência com esta dupla foi curta e grossa, i.e., nem deu para ‘’aquecer’’. Compradas directamente num site conhecido, apontavam para uma qualidade boa a um preço estrondoso. Conhecendo a marca na área da alta montanha, pensei que o produto de trail fosse, de igual modo, proporcional em qualidade. Mas bom e barato, nem na lua… Inicialmente utilizadas em piso escorregadio, fiquei com uma boa impressão, a borracha era muito boa com um bom grip, mas após dois treinos de 15/20 km (é verdade), alternando água e piso seco, a rede da parte superior da sapatilha desfez-se literalmente, parecia pó! Depressa as devolvi, sendo certo que a marca depressa me ressarciu do valor. Esqueçam, não se metam… Mantenham-se longe.
-Jorge-


















