quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Diz-me o que calças...



“Diz-me o que calças, dir-te-ei como corres” podia ser o mote para uma longa dissertação sobre as muitas opiniões sobre uma matéria que tem preenchido muitas conversas em treinos e corridas. No entanto, o que se pretende nesta crónica é, única e simplesmente, transmitir as minhas experiências com vários tipos de sapatilhas nos mais variados tipos de piso. A escolha, como é óbvio, será sempre pessoal…

Não represento nenhuma marca. Gosto sim de experimentar marcas desconhecidas do público atleta em geral, que se têm revelado bastante surpreendentes e até muito positivas... outras nem tanto. Não pretendo explorar as questões tecnológicas, antes sim falar daquilo que realmente nos interessa: preços, durabilidade, comodidade e outros aspectos mais “palpáveis”. 

Apresento aqui algumas das ‘’alpargatas’’ utilizadas por mim até ao presente ano, umas de trail (como não podia deixar de ser, a grande maioria) mas também de estrada. 

Estrada 


SKETCHERS GO RUN 2, uma sapatilha minimalista ultra leve, no entanto não permite ‘’pesos’’ acima dos 75 kg. Construção forte, decoração atractiva. Tenho corrida bastantes quilómetros e não demonstram fragilidades, apenas o amortecimento que apesar de ser diminuto, começa a escassear. São rápidas e aderentes em pisos molhados. O preço é convidativo, encontram-se boas promoções. Uma opção válida a ter em conta.





Trail

SKETCHERS GOBIONIC TRAIL, esta opção, que em termos de construção é uma derivação da sapatilha apresentada antes, não passou nos meus testes. Após pouquíssimos quilómetros em terrenos softrail com água, depressa demonstraram as suas fragilidades, pouco aderentes. Após apanharem com ‘’água e lama’’, as colagens que ligam a parte superior e a sola, simplesmente desfizeram-se. Certamente não são boa opção para trail, facto é que parece não terem vingado no mercado. Risquei das minhas opções.


SALOMON XA PRO 3D 2, uma marca que, à partida, não deixa grandes dúvidas, amplamente utilizada por muitos atletas. No entanto, duma forma geral penso que os ‘’americanos’’ não tiveram em conta os pisos característicos aqui por este Portugal, em que qualquer buraco conta. O que posso dizer deste modelo?! Uma desilusão, pouco aderentes, amortecimento pouco ou nenhum. Fiz questão de ampliar a tipologia dos terrenos, poderia estar errado, mas não, são boas para ir para o local de trabalho e pouco mais. Um ponto ‘’muito’’ fraco, a soldadura entre a parte superior da “alpargata” e a sola depressa apresentou a sua fraqueza, descolavam mais depressa do que corriam… Os 80 € (e foi em promoção) que apostei foram com o vento, não duraram 8 meses e pouquíssimos quilómetros.



SALOMON S LAB 5, ora aqui está um problema que me saiu caro, bastante caro, foram os cerca de 150 € mais rápidos a desaparecerem… Sim, desaparecerem e já vão perceber porquê. Adquiridas no início do ano e após três provas, num total de 190 km, em variadíssimos tipos de trilho, as ‘’meninas’’ foram-se. A carcaça superior começou a apresentar rasgos (incompreensíveis) que alastraram-se a toda sapatilha. Contactado o fornecedor, a resposta de sempre: - ‘’Não é defeito, algum ramo ou pedra foi o responsável pelos estragos’’. Eu sei que gosto de ‘’furar’’ por silvas e pedregulhos, mas isto foi demais, ou melhor, de menos. Aderência em piso molhado: uma nulidade. Aconselho uma utilização em estradão, seco e sem muita pedra. A sola, com toda a tecnologia (que maior parte de nós mortais nem sabemos se existe quanto mais compreender), não suporta muita ‘’pedrada’’, desaparece num instante e, pelo preço, risco das minhas opções. 


ASISCS FUJI TRAINER 2, a ASICS considero uma das marcas de eleição, preocupou-se com o atleta e entrou no mundo trail pela porta grande. Talvez a marca mais vendida aqui no nosso ‘’quintal’’. Iniciei-me oficialmente no trail com uma FUJI TRABUCO 2, umas das melhores opções (para mim) na altura. Diferentes em muito das FUJI TRAINER 2. Estas últimas têm uma construção duradoura (ainda as tenho), um bom grip - mesmo em situações mais complicadas, trepam muito bem. No entanto, com pouco amortecimento na secção posterior mas muito boas para rolar sem medos (apesar da protecção frontal não suportar grandes pancadas de raízes ou pedras). As evoluções destas “alpargatas” parecem seguir a mesma tendência, qualidade acima da média, a preços acessíveis e uma diversidade de cores apetecíveis aos olhos… 


SALOMON XR MISSION, esta sapatilha é um sapato híbrido, o que significa que pode ser utilizado em estrada ou em softtrail. Não se entenda como um puro sapato de estrada antes pelo contrário, a minha utilização deste modelo hibrido tem sido numa perspectiva de um percurso inicial em estrada seguido de estradão ou trilhos sem grandes relevos e ‘’distrações” (pedras, raízes, etc…). Amortecimento q.b., boa estrutura em termos de construção superior, pouca protecção contra embates laterais ou frontais. Até ao momento e depois de 3 anos, apenas apresentam um pequeno rasgo na dobra do pé na parte superior da sapatilha, nada de mais. O preço, um pouco mais alto que aquilo que se pode encontrar na mesma gama. 


KARRIMOR TEMPO, a minha experiência com esta dupla foi curta e grossa, i.e., nem deu para ‘’aquecer’’. Compradas directamente num site conhecido, apontavam para uma qualidade boa a um preço estrondoso. Conhecendo a marca na área da alta montanha, pensei que o produto de trail fosse, de igual modo, proporcional em qualidade. Mas bom e barato, nem na lua… Inicialmente utilizadas em piso escorregadio, fiquei com uma boa impressão, a borracha era muito boa com um bom grip, mas após dois treinos de 15/20 km (é verdade), alternando água e piso seco, a rede da parte superior da sapatilha desfez-se literalmente, parecia pó! Depressa as devolvi, sendo certo que a marca depressa me ressarciu do valor. Esqueçam, não se metam… Mantenham-se longe.

-Jorge-


domingo, 25 de outubro de 2015

RXT 2015 - O trilho dos trilhos

RXT2015 - Origem do Nós

No segundo fim de semana de outubro realizou-se o trilho de todos os trilhos... pelo menos para Nós: Red Cross Trail – RXT 2015. Estivemos nos vários lados da “barricada”: O Jorge como diretor técnico, eu atrás do computador e atleta dos K15.

Foi um fim-de-semana cheio... cheio de trabalho, boa disposição, corrida e prémios. Estive a ajudar numa das provas mais bonita em que participei (não tivesse sido desenhada pelo Jorge), que contou com a colaboração de um grupo incrível, atletas e amigos bem dispostos, com uma dedicação e paixão pelos trilhos que dá gosto ver. A minha parte foi fácil. Já a do Jorge foi bem mais complicada: marcações, fitagens, decisões, telefonemas, alterações, questões, mais decisões... Nós chegamos ao dia da prova com olhos de boga de mar, pernas que pareciam ter sido arrastadas pela via sacra e novas nomenclaturas.

Estar a acompanhar de perto e colaborar na organização de uma prova com estas características é uma experiência única. O trabalho começa assim que termina a edição anterior (até antes), ou seja, pelo menos um ano antes. Começa-se logo a pensar nas entidades a envolver, nos novos percursos, no que terá que ser diferente para melhorar de edição para edição... Eu já apanhei esta com muito trabalho feito, muito ou quase todo, mas ainda serviu para “sentir o sabor”... adorei, não fosse estar a assessorar nada mais, nada menos, que o diretor de prova - posição privilegiada J.

Umas semanas antes da prova, Nós fomos fazer parte do percurso da prova K30, há muito definida e muitas vezes percorrida pelo Jorge. Um dos objectivos foi verificar quais os pontos do percurso, em particular single tracks, com vegetação mais densa,  que precisavam ser limpos de troncos e silvas. As marcas nas pernas do Jorge começaram nesse dia.  Depois, uns dias antes da prova, foi necessário limpar alguns dos troços, o que o Jorge fez questão de fazer sem dó nem piedade... pelas próprias pernas, mãos e braços. Parecia que tinha percorrido a via sacra de joelhos e sobre silvas.

Também é nos dias que antecedem a prova que se vai etiquetar (ou “tagar”) – nova nomenclatura, da minha autoria (claro!), que pretende legar aos trilhos uma linguagem mais moderna, comum nos ambientes mais jovens, e.g. redes sociais. Esta tarefa é demorada e da qual depende, em grande parte, o sucesso da prova. Foram cerca de 32 km cheios de fitas, colocadas estratégica e cuidadosamente para que o mais distraído dos atletas não se perca, que não desapareçam com a chuva e vento e que permitam a sua recolha no fim. Nesta fase também é importante levantar “restos” de outras provas, que podem induzir os atletas em erro. Outra tarefa é preparar os sacos, brindes, t-shirts, listas de inscrições, seguros... trabalho de backoffice – outro termo para a modernização da nomenclatura “trilhista” J. São necessários os líquidos e sólidos para os abastecimentos, a preparação da partida e da meta, definir as equipas de apoio, técnicas e de segurança que vão estar espalhadas ao longo do percurso, sistema de cronometragem... Um conjunto de grandes tarefas e pequenos detalhes que permitem que a prova corra bem e seja um sucesso entre os atletas... e não dá descanso a quem está na organização, mas dá uns belos olhos de boga fresca e muito boa disposição.

O dia da prova começou cedo para Nós, ainda de noite, Pusemo-nos logo a postos: eu no secretariado; o Jorge a “comandar” as operações. Mais tarde iria participar no K15. Esta queria que corresse especialmente bem, sem quedas nem mazelas, mas tinha que a fazer sozinha. Estaria preparada? Duas horas a distribuir dorsais e lá fui para a partida. Depois do “encorajamento” do Jorge iniciei a prova. Mesmo as muitas rezas a São Pedro, não evitaram o batismo da prova. Com chuva batida pelo vento, muita lama, num percurso variado, desafiante, num cenário lindo - puro trilho – umas vezes acompanhada outras sozinha, concluí o K15 com um magnífico 2º lugar da geral feminina e 1º do escalão. Mais importante, fui recebida na meta da melhor maneira possível. Imaginem como! ;-). Escusado será dizer, fiquei toda vaidosa. Estive sozinha no terreno, mas foi mais um trilho a dois, uma vitória para o Nós. Correu muito bem!


Esta foi mais uma aventura da Teoria do Nós, mais uma variação ao que muito podemos e queremos fazer, outra forma de estar juntos e partilhar. Foi o trilho dos trilhos para Nós.

-Ana-

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Ir ou não ir? eis a questão.

Caminhada na Serra da Boa Viagem

Para pessoas com eu, entusiastas do desporto, que não conseguem estar paradas mas que, também, não vivem do nem para o desporto, ter que decidir não fazer uma prova “marco” é complicado e cria alguns conflitos entre o “Tico e o Teco”. Isto aconteceu comigo com o triatlo de Cascais.

Depois de um período de preparação quase intenso, com muitos planos e programas de treino seguidos, o mais possível, à risca, bastante entusiasmo, chegámos de rastos ao dia que antecede a prova. A título da verdade, fui eu que cheguei a esse dia sem pinga de vontade de enveredar em tamanha façanha: o triatlo de Cascais – prova World (1100m natação; 40km bicicleta e 10km corrida).

Era uma decisão complicada. Por um lado a falta de entusiasmo físico e psicológico e, por outro, um plano de 3 meses que seria cumprido nesse dia e a muita vontade de me estrear num triatlo em “dueto”. Para agravar a situação, por confusões com horários, teríamos que colocar o equipamento às 4h:30m da manhã no dia da prova... sim, de madrugada.

O meu parceiro, ao ver a atrapalhação em que me encontrava (como diz o ditado popular “uma mulher atrapalhada é pior que um homem bêbado”), logo forjou um plano B: Não há triatlo, vai haver trilho., uma fuga à cidade. E, como também ouvi dizer há pouco tempo, “há mais marés que marinheiros”, haverá outros triatlos.

No domingo, em vez de irmos direitos a Cascais, arrancamos para a Serra da Boa Viagem. “Quem vai para o mar, abastece-se em terra”, assim, antes de começar a caminhada, parámos para comer uma Francesinha. Um almoço leve para quem é saudável e passa a tarde a subir e a descer a serra :-).

O caminho escolhido para aquela tarde foi parte do percurso que será percorrido pelos atletas que irão participar no RXT 2015 – K30. Embora suspeita, a minha opinião é que vai ser uma prova única para os verdadeiros amantes de trail, com terrenos, altimetria e paisagens espetaculares, tem de tudo: serra fechada, mar, areia, singletracks, descidas técnicas, passagens por cascatas... Gostei especialmente do que alcunhei de “floresta encantada”. Um percurso em vegetação fechada, a passar em rios e cascatas secas, terreno acidentado, com um cheiro de quem anda longe da cidade, ao som da natureza. Até existe um trilho com o nome Branca de Neve. Agora, que por lá passei, entendo porquê... mas não vi os sete anões :-).

Podia ter sido um fim de semana menos agradável, nunca é bom falhar uma prova para a qual nos propusemos ir, mas acabou por ser “melhor que a encomenda”: um passeio numa serra magnifica na companhia perfeita, ideal para recuperar a energia e repor os níveis. Muito, mas muito bom. Obrigada Jorge!

Em relação ao triatlo, no próximo ninguém nos apanha (ahah)!

-Ana-

PS - Esta mais parece uma crónica alusiva aos ditados populares.


Trilhos de Almourol 2018

Trilhos de Almourol, 15/Abril/2018 Desta feita eramos uma “equipa” de 4 amigos. Esta não foi uma estreia nos trilhos de Almourol, foi a ...