![]() |
| RXT2015 - Origem do Nós |
No segundo fim de semana de outubro
realizou-se o trilho de todos os trilhos... pelo menos para Nós: Red Cross Trail – RXT 2015.
Estivemos nos vários lados da “barricada”: O Jorge como diretor técnico, eu
atrás do computador e atleta dos K15.
Foi um fim-de-semana cheio... cheio de
trabalho, boa disposição, corrida e prémios. Estive a ajudar numa das provas
mais bonita em que participei (não tivesse sido desenhada pelo Jorge), que
contou com a colaboração de um grupo incrível, atletas e amigos bem dispostos,
com uma dedicação e paixão pelos trilhos que dá gosto ver. A minha parte foi
fácil. Já a do Jorge foi bem mais complicada: marcações, fitagens, decisões,
telefonemas, alterações, questões, mais decisões... Nós chegamos ao dia da prova com olhos de boga de mar, pernas que
pareciam ter sido arrastadas pela via sacra e novas nomenclaturas.
Estar a acompanhar de perto e colaborar na
organização de uma prova com estas características é uma experiência única. O
trabalho começa assim que termina a edição anterior (até antes), ou seja, pelo
menos um ano antes. Começa-se logo a pensar nas entidades a envolver, nos novos
percursos, no que terá que ser diferente para melhorar de edição para edição...
Eu já apanhei esta com muito trabalho feito, muito ou quase todo, mas ainda
serviu para “sentir o sabor”... adorei, não fosse estar a assessorar nada mais,
nada menos, que o diretor de prova - posição privilegiada J.
Umas semanas antes da prova, Nós fomos fazer parte do percurso da
prova K30, há muito definida e muitas vezes percorrida pelo Jorge. Um dos
objectivos foi verificar quais os pontos do percurso, em particular single tracks, com vegetação mais
densa, que precisavam ser limpos de
troncos e silvas. As marcas nas pernas do Jorge começaram nesse dia. Depois, uns dias antes da prova, foi
necessário limpar alguns dos troços, o que o Jorge fez questão de fazer sem dó
nem piedade... pelas próprias pernas, mãos e braços. Parecia que tinha
percorrido a via sacra de joelhos e sobre silvas.
Também é nos dias que antecedem a prova que
se vai etiquetar (ou “tagar”) – nova nomenclatura, da minha autoria (claro!),
que pretende legar aos trilhos uma linguagem mais moderna, comum nos ambientes
mais jovens, e.g. redes sociais. Esta tarefa é demorada e da qual depende, em
grande parte, o sucesso da prova. Foram cerca de 32 km cheios de fitas,
colocadas estratégica e cuidadosamente para que o mais distraído dos atletas
não se perca, que não desapareçam com a chuva e vento e que permitam a sua
recolha no fim. Nesta fase também é importante levantar “restos” de outras
provas, que podem induzir os atletas em erro. Outra tarefa é preparar os sacos,
brindes, t-shirts, listas de inscrições, seguros... trabalho de backoffice – outro termo para a
modernização da nomenclatura “trilhista” J. São necessários os líquidos e sólidos
para os abastecimentos, a preparação da partida e da meta, definir as equipas
de apoio, técnicas e de segurança que vão estar espalhadas ao longo do percurso,
sistema de cronometragem... Um conjunto de grandes tarefas e pequenos detalhes
que permitem que a prova corra bem e seja um sucesso entre os atletas... e não
dá descanso a quem está na organização, mas dá uns belos olhos de boga fresca e
muito boa disposição.
O dia da prova começou cedo para Nós, ainda de noite, Pusemo-nos logo a
postos: eu no secretariado; o Jorge a “comandar” as operações. Mais tarde iria
participar no K15. Esta queria que corresse especialmente bem, sem quedas nem
mazelas, mas tinha que a fazer sozinha. Estaria preparada? Duas horas a
distribuir dorsais e lá fui para a partida. Depois do “encorajamento” do Jorge
iniciei a prova. Mesmo as muitas rezas a São Pedro, não evitaram o batismo da
prova. Com chuva batida pelo vento, muita lama, num percurso variado,
desafiante, num cenário lindo - puro trilho – umas vezes acompanhada outras
sozinha, concluí o K15 com um magnífico 2º lugar da geral feminina e 1º do
escalão. Mais importante, fui recebida na meta da melhor maneira possível.
Imaginem como! ;-). Escusado será dizer, fiquei toda vaidosa. Estive sozinha no
terreno, mas foi mais um trilho a dois, uma vitória para o Nós. Correu muito bem!
Esta foi mais uma aventura da Teoria do Nós, mais uma variação ao que
muito podemos e queremos fazer, outra forma de estar juntos e partilhar. Foi o
trilho dos trilhos para Nós.
-Ana-

Sem comentários:
Enviar um comentário