domingo, 25 de outubro de 2015

RXT 2015 - O trilho dos trilhos

RXT2015 - Origem do Nós

No segundo fim de semana de outubro realizou-se o trilho de todos os trilhos... pelo menos para Nós: Red Cross Trail – RXT 2015. Estivemos nos vários lados da “barricada”: O Jorge como diretor técnico, eu atrás do computador e atleta dos K15.

Foi um fim-de-semana cheio... cheio de trabalho, boa disposição, corrida e prémios. Estive a ajudar numa das provas mais bonita em que participei (não tivesse sido desenhada pelo Jorge), que contou com a colaboração de um grupo incrível, atletas e amigos bem dispostos, com uma dedicação e paixão pelos trilhos que dá gosto ver. A minha parte foi fácil. Já a do Jorge foi bem mais complicada: marcações, fitagens, decisões, telefonemas, alterações, questões, mais decisões... Nós chegamos ao dia da prova com olhos de boga de mar, pernas que pareciam ter sido arrastadas pela via sacra e novas nomenclaturas.

Estar a acompanhar de perto e colaborar na organização de uma prova com estas características é uma experiência única. O trabalho começa assim que termina a edição anterior (até antes), ou seja, pelo menos um ano antes. Começa-se logo a pensar nas entidades a envolver, nos novos percursos, no que terá que ser diferente para melhorar de edição para edição... Eu já apanhei esta com muito trabalho feito, muito ou quase todo, mas ainda serviu para “sentir o sabor”... adorei, não fosse estar a assessorar nada mais, nada menos, que o diretor de prova - posição privilegiada J.

Umas semanas antes da prova, Nós fomos fazer parte do percurso da prova K30, há muito definida e muitas vezes percorrida pelo Jorge. Um dos objectivos foi verificar quais os pontos do percurso, em particular single tracks, com vegetação mais densa,  que precisavam ser limpos de troncos e silvas. As marcas nas pernas do Jorge começaram nesse dia.  Depois, uns dias antes da prova, foi necessário limpar alguns dos troços, o que o Jorge fez questão de fazer sem dó nem piedade... pelas próprias pernas, mãos e braços. Parecia que tinha percorrido a via sacra de joelhos e sobre silvas.

Também é nos dias que antecedem a prova que se vai etiquetar (ou “tagar”) – nova nomenclatura, da minha autoria (claro!), que pretende legar aos trilhos uma linguagem mais moderna, comum nos ambientes mais jovens, e.g. redes sociais. Esta tarefa é demorada e da qual depende, em grande parte, o sucesso da prova. Foram cerca de 32 km cheios de fitas, colocadas estratégica e cuidadosamente para que o mais distraído dos atletas não se perca, que não desapareçam com a chuva e vento e que permitam a sua recolha no fim. Nesta fase também é importante levantar “restos” de outras provas, que podem induzir os atletas em erro. Outra tarefa é preparar os sacos, brindes, t-shirts, listas de inscrições, seguros... trabalho de backoffice – outro termo para a modernização da nomenclatura “trilhista” J. São necessários os líquidos e sólidos para os abastecimentos, a preparação da partida e da meta, definir as equipas de apoio, técnicas e de segurança que vão estar espalhadas ao longo do percurso, sistema de cronometragem... Um conjunto de grandes tarefas e pequenos detalhes que permitem que a prova corra bem e seja um sucesso entre os atletas... e não dá descanso a quem está na organização, mas dá uns belos olhos de boga fresca e muito boa disposição.

O dia da prova começou cedo para Nós, ainda de noite, Pusemo-nos logo a postos: eu no secretariado; o Jorge a “comandar” as operações. Mais tarde iria participar no K15. Esta queria que corresse especialmente bem, sem quedas nem mazelas, mas tinha que a fazer sozinha. Estaria preparada? Duas horas a distribuir dorsais e lá fui para a partida. Depois do “encorajamento” do Jorge iniciei a prova. Mesmo as muitas rezas a São Pedro, não evitaram o batismo da prova. Com chuva batida pelo vento, muita lama, num percurso variado, desafiante, num cenário lindo - puro trilho – umas vezes acompanhada outras sozinha, concluí o K15 com um magnífico 2º lugar da geral feminina e 1º do escalão. Mais importante, fui recebida na meta da melhor maneira possível. Imaginem como! ;-). Escusado será dizer, fiquei toda vaidosa. Estive sozinha no terreno, mas foi mais um trilho a dois, uma vitória para o Nós. Correu muito bem!


Esta foi mais uma aventura da Teoria do Nós, mais uma variação ao que muito podemos e queremos fazer, outra forma de estar juntos e partilhar. Foi o trilho dos trilhos para Nós.

-Ana-

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