quarta-feira, 30 de março de 2016

O (RES)CALDO ENTORNADO DA PÁSCOA




Fim de semana (grande) da Páscoa, primavera: ideal para treinar ao ar livre. Bicicleta, águas livres, serra... vai ser fantástico! Grandes planos, equipamento preparado, estada marcada e lá vamos NÓS
Quer dizer, não foi bem assim... Afinal na quinta-feira trabalhamos o dia todo. Na sexta-feira massagens da Henriqueta (mãos “santas”!) para recuperar de uma semana mais intensa, tarefas domésticas e preparar a tralha. 
Sábado, dia de festa (parabéns à minha Mãe preferida!! :-)), chuva e mar bravo. Chegados ao domingo desmotivados e, imaginem, cansados. Cansados da chuva, moídos das alergias, saturados das constipações, corpo a pedir descanso – Afinal era dia santo e, reza a tradição “se não tens feito nada e estás cansado, descansa mais ainda” :-D. Não foi completamente “vazio”, fizemos uma corridinha junto ao mar, um sobe e desce na costa da Ericeira (o que “arrebentou” com o que restava de NÓS). Tendo em conta os planos iniciais, foi pouco. Saudades de rolar na estrada, de nadar no mar e, acima de tudo, de sol e calor para nos acompanhar nestas atividades que tanto gostamos. 
E esta é a vida do atleta de “trazer por casa”. Mas feitas as contas foi um fim de semana muito bom, até deu para ver o tradicional filme de Páscoa. Mas como a tradição já não é o que era, ao invés do “velhinho” Ben-Hur, foi o “Exodus: Gods and Kings” (nada com que o Jorgyos não se identificasse :P)
Claramente fugimos aos planos iniciais... não fossemos NÓS! Mas…
Façam como NÓS, aproveitem o mais que possam de cada dia, mesmo que isso signifique estar sentado no sofá, encostado a quem amamos, a fazer... NADA!

-Ana-

terça-feira, 15 de março de 2016

Romae , ut est Theoria

... que é como quem diz “Em Roma sê Teoria do Nós!”

No fim de Fevereiro andámos às voltas com os Deuses Gregos do Olimpo e seus novos moradores: Jorgyos e Gastonidio (link).

Teoria do Nós - Roma, 2016
Mas conta a história que, alguns dos deuses da Grécia antiga passaram a fazer parte do legado romano... E NÓS também! Acelerámos os ponteiros e em menos de 15 dias entre arcos triunfais, arenas de gladiadores e pistas de bigas eis que surge o Jorgyus César.



 
Fomos a Roma! Correr? Nadar? Remar? Jogar ao guelas[1]

Nada disso, não fomos como atletas. Fomos como turistas. Mas desenganem-se se pensam que foi descansar, longe disso. Depois deste fim-de-semana, sugiro a criação de um novo desporto olímpico: “Caminhada turística em circuito citadino” ou, por outras palavras, um ‘’Peddy-Paper em cidade com muita história para contar’’. 


Teoria do Nós - Praça de São Pedro
Começámos cedo o primeiro dia de visita e logo em grande, fomos direitinhos ao Vaticano. Gerimos bem a partida, ainda em reconhecimento do terreno, e depois de cerca de 1km, apanhámos o metro... para não mais voltar aos transportes públicos. Muitos pensaram como nós e qualquer sitio que quiséssemos visitar, implicava filas com alguma demora, com a agravante que no Vaticano já estavam em curso os preparativos para a Páscoa. Mas nem a espera nem o conjunto de vedações nos impediu de apreciar a magnitude da Catedral de São Pedro. Daí seguimos em direção ao Castelo de Sant’Angelo, atravessamos o rio na bela Ponte de Sant'Angelo e, por ruas e ruelas, com voltas e mais voltas, fomos a todos os “must see” num raio 1,5km. 



Teoria do Nós - Piazza Navona
Conforme nos íamos infiltrando na cidade e no seu labirinto de ruas, o Robert Langdon e a Vittoria Vetra[2] que há em NÓS começava a surgir... OK! Talvez esteja a exagerar :-) - ter visto recentemente o filme “Anjos e Demónios” foi muito sugestivo ao longo do percurso que fizemos neste primeiro dia (mais dedicado ao elemento religioso). Acabámos o passeio num simpático restaurante, seguindo depois para o hotel que ficava a cerca de 3,5km. 

Teoria do Nós - Fontana de Trevi
Como qualquer viciado, claro que levámos sapatilhas e calções para dar uma corridinha em Roma mas, quando chegamos ao fim deste primeiro dia, vimos que foi bagagem a mais.

Teoria do Nós - Coliseu, Roma

Teoria do Nós - Roma, 2016
O segundo dia foi dedicado ao Império Romano ou, melhor, ao que resta dele. Começamos pelo Coliseu e, outra vez, não foi um início fácil, mais uma longa espera para conseguir entrar. Nem mesmo a Jorgyus César foi dada prioridade e, como o comum dos mortais, tivemos que esperar mais de 1h para ver o interior de tão grandiosa construção... que foi. Infelizmente, depois de anos de pilhagens e abandono, é pouco o que se consegue ver mas, por outro lado, é muito o que conseguimos imaginar do que terá sido em tempos aquele monumento. Seguimos caminho pelos restos do Império Romano a acrescentar história à Teoria do Nós. E tanto andámos e tanto vimos que já estávamos em Roma como se há muito a conhecêssemos – até Italianas nos pediram indicações. No fim do dia, acho que estávamos entre os primeiros na “Caminhada turística em circuito citadino” :-)

Mas porque não alargar o império para lá de Roma?!?! E como os antigos Centuriões, seguimos no terceiro dia à conquista de Orvieto - Pequena vila da região da Umbria, a norte de Roma, construída sobre penhascos. 
Teoria do Nós - Orvieto, 2016

Com uma catedral faustosa, ruas estreitas e de construção tradicional (num tipo de pedra vulcânica), muito bem cuidada e conservada, com um impressionante labirinto subterrâneo que, em tempos idos, era mantido secreto e usado para eventuais fugas dos nobres da cidade. 








Mas a vila também é conhecida pelo bom vinho e boa comida... e pronto, lá teve que ser, fomos “visitar” este lado da vila :-) e que belo repasto: Oste Del Re[3]! Orvieto está aprovadíssimo, vale a pena o desvio! 

Teoria do Nós - Orvieto, 2016
Uma aventura destas só mesmo com o Jorgyus César[4]... melhor era impossível. 

Jorgyos César, tecum ibo ad astra!

-Ana-

[1] Jogar ao Guelas: jogar ao berlinde. 
[2] Romance ‘’ Anjos e Demónios’’ de Dan Brown.
[3] Oste Del Re: restaurante de excelência situado em Orvieto, conhecido pelas suas iguarias de porco preto, javali entre outros.
[4] Ou muito me engano ou o Jorge foi despromovido de deus – Jorgyos - a imperador – Jorgyus Cesár.

quarta-feira, 2 de março de 2016

HALO e a TEORIA DO NÓS

Na mitologia grega, o Monte Olimpo é a morada dos Doze Deuses do Olimpo, os principais deuses do panteão grego.
Foi assim que me senti quando terminei os 117 km do evento Ultra Sicó 2016.
Sinto-me vaidoso com a minha performance, levei o meu físico aos picos e saí ileso, sempre na companhia dos Deuses do Olimpo.
Não saí vitorioso de uma prova de trail mas sim de uma prova de "vida".

Naquelas horas infernais, em condições climatéricas impróprias para humanos (sim, porque os únicos seres vivos andantes naquelas serras, àquelas horas, só mesmo aquele punhado de doidos), pensamos apenas em sobreviver. É engraçado saber aonde a nossa mente nos leva quando sujeita a provações. E talvez por isso, algumas almas, como eu, se sujeitam a façanhas dignas dos deuses do Olimpo.

Agora tudo o que se possa dizer de dor/prazer, quente/frio, chorar/rir ganha uma nova dimensão, tudo passa a relativo.

Mas, atrás de um homem, há sempre uma grande mulher!
Bastava ver aquela carinha da MMQT (minha mais que tudo), nos PA’s, que aquecia a alma, tudo ficava mais fácil. Mais que o físico, o psicológico é o que nos leva a cortar a meta!
Ela lá estava, de pedra e cal, qual vento, chuva ou granizo, com os caracóis aos saltos, a aplaudir, gritar por mim (e não só, foi um grande apoio a vários atletas também).

É isto, a esta filosofia define-se "TEORIA DO NÓS"!


A PROVA… e os deuses


Iniciei os primeiros km, apreensivo mas confiante, na companhia de duas máquinas: José Marçal e Gastão Sousa, amigos de longas distâncias, com muitas estórias em comum. Acompanhava-nos o irritante TLALOC (deus da chuva).
Já nos conhecíamos destas e outras aventuras, por isso conscientes das capacidades individuais e coletivas. Foi com grande tristeza que assisti à desistência do meu amigo Marçal, atingido pelo CRIO (deus do frio) que quase que me levava também mas, depois de dois sopapos do Gastão, lá alinhei a direção. E segui.
Ao km 85, dores nos tendões do pé, ALGO (deus da dor) voltava a atacar, recordando o km 87 de 2015, e quase me deitava abaixo outra vez.
Mas NÃO! Desta vez não ia ‘’morrer na praia’’. Gastão de um lado e a MMQT do outro, alinhei novamente a direção e segui, uma energia surgia vinda dos céus. Percebi que APOLO (dispensa apresentações) me acompanhava. Ah grande amigo!
Depois de medicação de recurso, as dores voaram, assim como as minhas pernas, fortes e com uma passada bem ritmada, lá seguimos direitos ao objetivo. Qual FÉNIX qual quê! 
A nós juntou-se a Margarida, oriunda de Vigo – Galiza, um pouco debilitada pelo CRIO.
A 4 km da meta o impensável acontecia: Trilho das Cascatas, mais parecia que tínhamos descido ao inferno de DANTE, só que na versão ‘’fria e molhada’’, traçado nas escarpas do rio. Aqui começava a escalada ao Monte Olimpo, penoso, sofrido, desgastante. 
Depois de 100 km, 21 horas, as nossas capacidades cabrianas (cabra montesa) eram colocadas em jogo. A nossa autem (latim de "vontade") de conquistar um lugar ao lado de ZEUS, velho amigo, era enorme, uma aura envolvia as nossas almas…
Depois de 21h30 e 117 km talhados, arrancados das garras de TIFÃO (monstro com cem cabeças de serpente), conseguimos um lugar ao lado dos doze Deuses do Olimpo
Somos considerados semideuses, metade mortais, metade imortais. Os nossos nomes de guerra: GASTONIDIO (deus das pernas soltas) e JORGYOS (deus do bastão iluminante).

Esta aventura grega não seria concluída sem as deusas do Olimpo: AFRODITE (reencarnada na MMQT) e ATENA (deusa da sabedoria, reencarnada na minha amiga Célia).
Naqueles momentos de aperto, em que temos a nossa autoestima aos níveis da inflação em Portugal, é que o conforto de uma palavra nos trás à vida outra vez.

Sem ELA – Ana, não conseguia, tenho a certeza. És o ar para os meus pulmões, és o sangue para as minhas veias! A ti, faço te uma vénia, Deusa do Olimpo!




-Jorge-
'Vita est illis qui ex parte formosius''

Trilhos de Almourol 2018

Trilhos de Almourol, 15/Abril/2018 Desta feita eramos uma “equipa” de 4 amigos. Esta não foi uma estreia nos trilhos de Almourol, foi a ...